O suficiente para não se importar

Haveriam alguns motivos para brigas e discussões. Ela reclamaria de algo, ele ia achar que entendeu, mas logo faria algo errado parecido, e ela ia achar que perdoou, mas logo se veria magoada com ele de novo, e ele ia entender, até ela reclamar de algo... e aí eles se veriam cansados, sem mais nada a oferecer. E o Destino riria, e talvez achasse graça da forma como o amor torna as pessoas tão idiotas.
Então, em algum momento, ele conheceria outra pessoa, talvez até se envolvesse com ela, mas ela nunca saberia, e, se soubesse, quem sabe até o perdoaria. Mas a tempo ele perceberia que o problema era outro, embora nunca soubesse ao certo qual era o problema, mas tudo começaria a ser, de um certo modo, diferente.
Ela, devagar, aprenderia que ele tinha manias quase incorrigíveis, e que era romântico de mais até para o que a paciência dela podia aguentar. Ela, devagar, entenderia que ele não gostava de conversar quando precisava, mas que era ansioso o suficiente para falar demais nos horários em que deveria apenas calar a boca. E ele? Ah! o Destino achou suficiente que ele aprendesse a amá-la, embora as vezes ficasse confuso com isso e nunca entendesse porque ela o corrigia tanto.
Mas eles viveriam uma grande história de amor. Cheia de caminhos, detalhes, momentos apaixonados, um pouco de chuva e algumas madrugadas de amor... Pode não ser uma história de amor comprida, mas geraria tantas outras histórias que alguém poderia até se interessar por publicar em algum lugar. Nunca se sabe onde histórias de amor podem chegar.
Mas, nesse dia, o Destino estava cansado e triste, e tinha tantas outras coisas mais importantes para resolver... talvez estivesse de ressaca, e com a cabeça doendo o suficiente para não se importar. Estes não eram dias bons, e, depois de tudo o que aconteceu, ele queria apenas um tempo para si mesmo, para reconstruir algumas coisas.
Nunca se sabe onde histórias de amor podem chegar. Mas, naquele dia, o Destino estava cansado, talvez de ressaca, e resolveu não se importar com essas histórias de amor. Amanhã, talvez, se algumas nuvens sumissem do céu, eles resolvessem conversar. Mas não hoje. Hoje a cabeça do Destino doía, e ele tinha resolvido não se importar.

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