Quando minha avó materna começou a demonstrar os primeiros
sintomas de Alzheimer, eu não imaginei que, ao longo do tempo, ela [re]viveria tantas histórias.
Perdi meu bisavô paterno em 2010, devido à degeneração causada por essa mesma doença,
aos 86 anos (embora ele dissesse que só tinha
75), depois de pouco mais de três anos de perdas graduais na memória e em
outras funções psicológicas como percepção e atenção. No começo, era engraçado: ele contava histórias,
inventava histórias, misturava histórias... Depois, contou, misturou e errou
nomes... até esquecê-los. Com o tempo, parou de comer e de beber, achava que
todos o estavam perseguindo, e aos poucos foi se fechando no Mundo de Memórias falhas que ele mesmo criou. Eu,
como [quase] psicóloga, sempre achei que esse poderia ser o pior fim para uma pessoa: morrer pelo esquecimento, todos os dias, pouco a
pouco. Morrer pela mente.
Hoje eu sei que, conforme envelhecer, minha mente se definhará
também. Justo eu, que tanto me gabo da boa memória
que tenho...! Isso me entristece. Mas novas e velhas histórias surgiram, através
dos devaneios da minha avó (que agora já está no segundo ano da doença e mesmo
assim parece cada dia mais forte fisicamente) e por receber em casa a visita
(talvez permanente) do meu avô paterno... e eu finalmente resolvi escrevê-las.
Bem-vindos ao MUSEU DE
MEMÓRIAS MORTAS, um lugar que desafia
o tempo e o espaço, lugar onde presente
passado e futuro se misturam e se distanciam a cada minuto, e se renovam,
se repetem, se revivem, e se acabam... mesmo que talvez nem existam.
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