Parece que ele sabe... Às vezes acho que ele pode mesmo sentir. E às vezes até acho que ele sente o mesmo que eu. E - malditas asas queimadas! - às vezes eu só queria poder voar para longe dele. Mas não. Autocontrole nunca foi uma característica a qual me dediquei.
- Oi - ele disse com sua voz baixa.
- Oi - me limitei a responder.
- Só liguei para saber se você estava bem...
- Eu estou. - e fugia das respostas quase tanto quanto fugia do contato. E não lhe faço perguntas. Sempre tenho medo das respostas, embora tudo o que eu quisesse era tê-lo deitado no meu divã, para então lhe arrancar todas as verdades.
- Ah, que bom. Queria dizer também que eu estava com saudades...
- Você sempre está, - respondi. - mas acho que isso nunca melhorou as coisas entre nós.
- Pare de me tratar assim... - sua voz era reticente e triste. De uns tempos para cá, sua voz sempre me soava triste. Mas talvez fosse só o meu coração meio fraco demais.
- Pararei - eu respondi. - É só você parar de me ligar. Ou ao menos tenha a decência de admitir o que você quer. Você quer voltar?
- Não. Eu quero conversar. Quero sentar no seu portão, segurar sua mão e te apertar forte. E te soltar apenas quando a realidade nos obrigar a acordar. - ele riu, triste. - Vamos sair?
Suspirei: Não posso...
- Não pode... ou não quer?
- Os dois.
- Tudo bem. Me desculpe. Não vou mais te ligar.
- Eu sei.
- Então... até semana que vem. - ele fala, triste. E eu solto uma risada triste ao ouvir a velha piada.
- Até. Se cuide. E volte para quem sabe devolver as minhas asas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário