Só sei que sinto falta de algo que nunca vivi, mas viverei - ou escreverei. E será como se tivesse vivido.
As palavras têm o poder de criar tanta coisa, e podem trazer uma beleza inexistente para qualquer história. Eu te criei com palavras, mas, enquanto escrevia, coloquei sentimentos tão reais que você acabou se tornando real para mim também.
Talvez todos os escritores já tenham se apaixonado por algum de seus personagens. Mas meu personagem tem vida. Tanta vida que a dividiu comigo para que eu pudesse escrever sobre ele. Talvez ele até exista.
Por vezes me sinto um personagem também. Por todas as vezes nas quais ele brinca, me enrola, e me faz achar que na verdade é ele quem segura a caneta e escreve essa HISTÓRIA.
A história de uma vida; das nossas vidas. A nossa história.
No papel, diferente da vida real, o tempo não corre. Presente, passado e futuro se misturam, porque são palavras; e palavras se ordenam de acordo com a mão do escritor.
E, diferente da vida real, qualquer detalhe pode ser modificado. Tudo e nada são importantes, porque as palavras precisam estar juntas para fazer sentido. É assim na vida também: algumas coisas precisam estar juntas para fazerem sentido. É assim com nós dois. Justos temos sentido, mas se estivéssemos separados, eu nem poderia escrever essa história.
Mas nossa história, nas minhas mãos doloridas por escrever, tem a forma que eu resolvi lhe dar. Trechos podem ser apagados, inventados ou reescritos. A história ganha vida, porque nossas vidas - juntas - ganham significado.
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